Dia: 19 de janeiro de 2026

  • Perícia em pulverizador agrícola: 3 Fatores sobre a dinâmica de sinistros no Norte do RS

    Perícia em pulverizador agrícola: 3 Fatores sobre a dinâmica de sinistros no Norte do RS

    No cenário do agronegócio gaúcho, especialmente na região do Norte do RS, acidentes com maquinário pesado são eventos complexos que exigem mais do que uma simples inspeção visual. Quando um equipamento de alto valor sofre um sinistro, a perícia em pulverizador agrícola torna-se a ferramenta técnica indispensável para esclarecer a verdadeira extensão dos danos e as forças físicas envolvidas.

    Muitos produtores enfrentam o desafio de negativas de cobertura securitária baseadas em análises estáticas, que não consideram a dinâmica do movimento no campo. Na Bruxel Perícias, entendemos que cada amassado ou empenamento conta uma história física que precisa ser traduzida tecnicamente para o judiciário.

    O Desafio da Negativa: Análise Estática vs. Dinâmica

    Recentemente, fomos nomeados pelo Juízo para atuar em uma perícia em pulverizador agrícola, caso envolvendo um pulverizador autopropelido Stara. O sinistro ocorreu quando o rodado dianteiro direito da máquina afundou subitamente em solo lamacento, fazendo com que a barra direita colidisse violentamente contra o solo.

    O conflito técnico surgiu quando a seguradora reconheceu os danos na barra direita, mas negou a cobertura para os danos na barra esquerda. A alegação era de que o lado esquerdo teria ficado “suspenso” no ar e, portanto, não teria sofrido impacto. No entanto, uma perícia em pulverizador agrícola aprofundada não pode ignorar as leis da física: a inércia e a transmissão de forças em estruturas articuladas.

    Metodologia Forense Aplicada a Máquinas Agrícolas

    Para desconstruir a tese de que a barra esquerda estava intacta apenas por não ter tocado o solo da mesma forma que a direita, utilizamos métodos de engenharia mecânica forense fundamentados em normas técnicas e literatura especializada.

    A nossa abordagem em uma perícia em pulverizador agrícola envolve a análise do sistema de suspensão das barras. Estas estruturas não são rígidas; elas operam como um sistema de pêndulo para garantir a estabilidade na aplicação do defensivo. Ironicamente, essa mesma liberdade de movimento é o que transmite a energia destrutiva durante uma parada brusca.

    O Efeito Pendular e a Sobrecarga por Inércia

    A chave técnica deste laudo residiu na demonstração do “efeito pendular” ou efeito gangorra. Ao realizar a perícia em pulverizador agrícola, demonstramos que o impacto da barra direita no solo gerou uma força de reação imediata. O chassi atuou como pivô, e a energia do impacto foi transferida instantaneamente para o lado oposto.

    Pela inércia, a barra esquerda foi chicoteada para baixo com violência. Mesmo que o contato com o solo tenha sido diferente do lado direito, a desaceleração súbita e o momento fletor geraram tensões que ultrapassaram o limite elástico do material.

    Identificamos deformações plásticas e empenamentos nas travessas da estrutura treliçada esquerda que eram perfeitamente compatíveis com esse “efeito chicote”. A análise provou que os danos não eram decorrentes de desgaste natural ou uso, mas sim de um evento único de sobrecarga dinâmica, causado pelo atolamento inicial.

    Conclusão Técnica do Laudo

    O estudo técnico concluiu que a visão da seguradora estava equivocada ao analisar o evento de forma estática. A perícia em pulverizador agrícola realizada por este Engenheiro Mecânico forneceu subsídios técnicos claros ao Juízo, demonstrando o nexo causal entre o acidente e os danos em ambas as barras (direita e esquerda).

    Seja no Norte do RS ou em qualquer região produtora, a análise correta de falhas em máquinas agrícolas exige conhecimento profundo de dinâmica veicular. Laudos fundamentados protegem o patrimônio e garantem a justiça técnica nos processos de regulação de sinistros.

    Se você precisa de assistência técnica em casos complexos de máquinas agrícolas, conte com a expertise da nossa equipe.

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    Nota de Transparência: As imagens contidas neste post são reconstruções digitais de IA que fizemos para representar semelhança às imagens do laudo original porém preservando o sigilo das partes envolvidas, garantindo a confidencialidade, um dos nossos mais importantes pilares.

    Perícia em pulverizador agrícola analisando a estrutura da barra danificada por efeito pendular em Trindade do Sul RS.

    Imagem: Reprodução de IA semelhante ao caso original de perícia em pulverizador agrícola.

  • Incêndio em Caminhão no Vale do Sinos: 1 Falha Oculta que Gera Perda Total

    Incêndio em Caminhão no Vale do Sinos: 1 Falha Oculta que Gera Perda Total

    Quando nos deparamos com um cenário de incêndio em caminhão que resulta em perda total, a primeira reação de proprietários e seguradoras é buscar respostas imediatas. No entanto, a complexidade desses sinistros exige mais do que suposições; exige engenharia forense aplicada.

    Recentemente, a Bruxel Perícias atuou em um caso emblemático no Vale do Sinos, RS, envolvendo um Volkswagen Constellation que foi consumido pelas chamas enquanto estava estacionado. Este artigo detalha como nossa metodologia técnica identificou a origem do fogo, desmistificando a ideia de que veículos desligados estão imunes a sinistros elétricos graves.

    O Mistério do Veículo Estacionado na Madrugada

    Um dos cenários mais desafiadores para frotistas é o incêndio em caminhão que ocorre quando o veículo não está em operação. No caso analisado, o caminhão foi estacionado em um pátio no Vale do Sinos, próximo das 22h. O motorista desligou o veículo e se afastou. O pátio permaneceu deserto.

    Entretanto, as câmeras de monitoramento (CFTV), que analisamos minuciosamente quadro a quadro, revelaram que às 02h28 da madrugada — horas após o desligamento — sinais de fumaça começaram a surgir atrás da cabine, justamente no lado do motorista. Em poucos minutos, o fogo se tornou visível e, sem combate imediato, evoluiu para um incêndio generalizado que durou mais de 40 minutos, destruindo a cabine e comprometendo a estrutura do chassi.

    A Dúvida Comum: Caminhão Desligado Pega Fogo?

    Uma dúvida recorrente em processos de sinistro é a viabilidade técnica de um incêndio em caminhão iniciar-se sem a chave na ignição. A resposta técnica é sim. Mesmo com o veículo desligado, diversos circuitos permanecem energizados diretamente pela bateria.

    A literatura técnica, incluindo estudos da National Fire Protection Association (NFPA), aponta que baterias de veículos fornecem uma fonte de ignição competente. O motor de arranque, por exemplo, permanece em um circuito “semi-direto” com a bateria. Se houver uma falha no isolamento ou no componente, a energia acumulada é suficiente para gerar calor intenso e iniciar a combustão dos materiais plásticos e borrachas adjacentes.

    A Ciência Forense e a NFPA 921 na Investigação

    Para determinar a causa deste incêndio em caminhão, aplicamos os métodos do guia NFPA 921. Nossa vistoria no veículo identificou padrões de oxidação específicos na lataria da cabine. A análise das cores e texturas do metal oxidado indicou que o fogo progrediu de baixo para cima e de trás para frente, concentrando-se na região traseira inferior da cabine.

    Um ponto fundamental da perícia foi a análise da fiação elétrica. Utilizamos a técnica de mapeamento de arco elétrico. Ao examinar os resíduos dos cabos do motor de arranque, encontramos as chamadas “pérolas” de fusão nas extremidades dos fios rompidos.

    Essas pérolas são esferas de cobre formadas quando ocorre um curto-circuito. Diferente do derretimento comum pelo fogo, o curto-circuito gera temperaturas pontuais altíssimas, fundindo o cobre instantaneamente. A ausência dessas pérolas no restante do chicote elétrico do veículo foi um forte indicativo de que a falha elétrica primária ocorreu ali, nos cabos de alimentação do motor de arranque.

    O Rastro do Calor: Derretimento na Capa Seca

    A evidência física mais contundente encontrada por nossa engenharia neste caso de incêndio em caminhão estava na caixa de câmbio. Ao inspecionar a “capa seca” da transmissão (a carcaça metálica que acopla o motor ao câmbio), notamos que aproximadamente 50% da sua parte superior esquerda estava completamente derretida.

    O alumínio da carcaça fundiu devido a um calor localizado extremamente intenso. O componente posicionado imediatamente à frente dessa área derretida era justamente o motor de arranque.

    Isso corrobora com estatísticas do Conselho de Tecnologia e Manutenção da Associação Americana de Caminhões (TMC-ATA), que listam motores de arranque como causadores potenciais de incêndios. Uma falha comum é o travamento ou curto na solenóide de partida. Mesmo sem o comando da chave, uma solenóide defeituosa pode fechar o circuito, puxando uma corrente altíssima que superaquece os cabos sem fusível, inflamando o isolamento e, consequentemente, causando o derretimento do alumínio próximo e a destruição do veículo.

    Conclusão Técnica e Prevenção

    A análise forense concluiu que a causa de maior probabilidade para este incêndio em caminhão foi uma sobrecarga elétrica seguida de curto-circuito nos cabos do motor de arranque, possivelmente originada por falha na solenóide.

    Este caso ilustra a importância vital da manutenção preventiva nos componentes elétricos de partida e a necessidade de perícias especializadas para identificar a real causa raiz, especialmente em negativas de seguro ou disputas de responsabilidade. Entender a dinâmica do fogo não serve apenas para resolver um processo, mas para evitar que novas perdas ocorram.

    Se você enfrenta uma situação complexa envolvendo sinistros veiculares ou máquinas pesadas, nossa engenharia forense é o caminho para a verdade técnica.

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    Nota de Transparência: As imagens contidas neste post são reconstruções digitais de IA que fizemos para representar semelhança às imagens do laudo original porém preservando o sigilo das partes envolvidas, garantindo a confidencialidade, um dos nossos mais importantes pilares

    Perícia de incêndio em caminhão Volkswagen Constellation em Estância Velha RS com foco em danos no motor de arranque.